Santa Hildegard de Bingen (1098-1179) abadessa beneditina e doutora da Igreja
«Livro das Obras Divinas», cap. 6
Desde o início até ao fim de cada ação, a alma deve venerar com igual zelo os sete dons do Espírito Santo. No início da sua ação, acolhe a sabedoria, que possui no fim do temor e conserva no meio da coragem – fortaleza de ânimo -, protege-se nas coisas celestes com o entendimento e o conselho e rodeia-se nas coisas terrenas de ciência e de piedade: estas devem ser acolhidas com grande respeito, pois são o seu apoio. Deve a alma, pois, começar por se abrir à sabedoria, para se encerrar, no final da sua ação, com a timidez e o pudor; no intervalo, arme-se de firmeza com o adorno do entendimento e do conselho, e fortaleça-se com a ciência e a piedade. O movimento da alma sensata e a ação do corpo de acordo com os seus cinco sentidos seguem um único e mesmo caminho, porque a alma não move o corpo mais do que ele pode realizar, e o corpo só trabalha de acordo com o que a alma põe em movimento. Os diferentes sentidos, por outro lado, não estão separados uns dos outros, mas apoiam-se mutuamente com grande firmeza e iluminam o homem todo, para o conduzir para cima ou para baixo, segundo as escolhas da sua alma. O conhecimento da alma provoca lágrimas de arrependimento, ao passo que os pecados a arrefecem. Pois a constância na justiça traz-lhe, para além das boas obras, o calor dos desejos superiores. As outras virtudes vêm em auxílio da constância para comunicar a cada crente o humor da santidade – a graça santificante: a alma é penetrada pelo orvalho e pelo calor do Espírito Santo, domina a carne e motiva-a a servir a Deus consigo. […] Depois, todos os órgãos interiores trazem a sua energia à alma humana, para a servir. Assim, quando a alma abandona o pecado para cumprir a justiça, eleva-se seguindo a razão.